Selecionados por concurso, escritórios de arquitetura de diferentes regiões assinam pavilhões inspirados nos biomas brasileiros e colocam em exposição leituras contemporâneas do habitar
A edição inaugural da Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB), em cartaz no Parque Ibirapuera, reúne arquitetos e escritórios de diferentes regiões do país para apresentar, em escala real, interpretações contemporâneas do morar brasileiro. Organizados por biomas, o Pavilhão Brasil, no Pavilhão das Culturas Brasileiras (PACUBRA), funciona como um conjunto de ideias expostas: cada ambiente traduz território, cultura material, clima e cotidiano em decisões de projeto — e convida o público a percorrer o Brasil por meio de diferentes repertórios.
“A BAB apresenta uma escala de arquitetura próxima da realidade do público, com projetos que poderiam existir no dia a dia das pessoas, mas que ao mesmo tempo incorporam diferentes contextos regionais e métodos construtivos do Brasil.”, comenta Anna Rafaela Torino, sobre a proposta de aproximar a arquitetura do cotidiano e ampliar o repertório cultural do público por meio de experiências imersivas.

Selecionados por concurso, os autores enfrentaram o mesmo desafio: transformar pesquisa e leitura de território em uma experiência de visitação. Cada pavilhão é um espaço independente, assinado por um escritório diferente — em um processo que mobilizou mais de 1.300 escritórios — e todos partem do mesmo programa e metragem: um ambiente de 100 m², reinterpretado a partir de referências regionais e do bioma correspondente.
No Pavilhão Pará, o Studio Tuca apresenta Caminho dos Rios, uma organização espacial guiada pelos fluxos amazônicos, em que paisagem e circulação se tornam lógica de projeto. No bioma Caatinga, o Mangaba Estúdio assina Relicário de Voinha, articulando memória e matéria como linguagem do espaço. Já no Pantanal, a OHMA apresenta o Loft da Preservação Cuiabana, conectando identidade local e reflexão contemporânea sobre permanência e ambiente.
“A presença na primeira Bienal de Arquitetura do Brasil se constrói, para mim, como um campo de reflexão sobre origem, território e linguagem, atravessando tanto o meu trabalho quanto o meu design. Minha produção nasce de um repertório profundamente enraizado no Mato Grosso e no Pantanal; não apenas como paisagem, mas como memória, cultura e materialidade. Existe uma inteligência silenciosa nesses lugares que orienta escolhas, ritmos e formas. A BAB se torna, então, uma plataforma para tensionar e ampliar esse imaginário, revelando a sofisticação que emerge de contextos muitas vezes lidos de forma simplificada. É, sobretudo, a possibilidade de transformar pertencimento em linguagem, seja na arquitetura ou no design.” destaca Nicholas Oher, responsável pelo pavilhão MT.
Outros projetos reforçam como a BAB reúne repertórios diversos em diálogo. No Cerrado, o Debaixo do Bloco Arquitetura (Distrito Federal) participa com Moderno no Viver, articulando referências do modernismo brasileiro a um olhar atualizado sobre casa e cotidiano. Na Mata Atlântica, Letícia Finamore Arquitetura (Espírito Santo) assina Mulher Capixaba Contemporânea, trazendo identidade e cultura material como eixo de projeto.
A articulação do conjunto e o percurso do visitante partem do masterplan do Estúdio Leonardo Zanatta Arquitetura, vencedor do concurso nacional promovido pela BAB para a edição inaugural, responsável por organizar fluxos e conexões entre os pavilhões e os diferentes programas do evento.
Ao reunir autores de diferentes estados e repertórios em um mesmo percurso, a BAB reforça a arquitetura como linguagem cultural — capaz de traduzir território, memória e inovação em espaços que o público pode vivenciar. A Bienal propõe, assim, uma aproximação direta entre pessoas e projetos, ampliando o olhar sobre o habitar no Brasil e colocando em circulação ideias que atravessam não apenas o campo profissional, mas também o cotidiano de quem visita.

Serviço — Bienal de Arquitetura Brasileira 2026
Quando: 25 de março a 30 de abril de 2026
Horário: Segunda a sexta-feira, das 12h às 21h. Sábado e domingo das 9h às 21h.
Onde: Parque Ibirapuera, São Paulo – Pavilhão das Culturas Brasileiras
Info: contato@bienaldearquiteturabrasileira.com
Site oficial: www.bienaldearquiteturabrasileira.com
Ingressos:Link

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